domingo, 18 de abril de 2010

Polónia presta homenagem aos mortos de Katyn

18.04.2010 - 08:31 Por Margarida Santos Lopes


Mais de cem mil pessoas encheram ontem a Praça Pilsudski, em Varsóvia, numa homenagem às vítimas do que o primeiro-ministro, Donald Tusk, descreveu como "a maior tragédia da Polónia desde a II Guerra Mundial".




Esta tragédia foi a queda, no dia 10, próximo da cidade de Smolensk, no Ocidente da Rússia, de um avião que transportava o Presidente, Lech Kaczynski, e outras 95 pessoas. Seguiam para uma cerimónia que evocaria outra tragédia: o massacre de 22 mil prisioneiros polacos, oficiais e intelectuais, na floresta de Katyn. Foram executados com um tiro na nuca, em 1940, por ordem de Estaline, que depois culpou os nazis."Todos tinham os seus sonhos e esperanças para o futuro da sua pátria", disse Tusk, rival político de Kaczynski, dirigindo-se, emocionado e consternado, a uma multidão que segurava bandeiras nacionais com laços negros. "A Polónia está aqui para os recordar. Não os esqueceremos."No pódio onde Tusk discursou foi erguida uma grande cruz branca, entre dois enormes painéis negros contendo as fotos e os nomes de todos os mortos no acidente. Cada vez que um desses nomes era lido em voz alta, lágrimas rolavam pelos rostos de muitos dos presentes, na mesma praça onde o Papa João Paulo II fez um discurso, em 1979, que inspirou os polacos a derrubar o comunismo.Ontem, um dos mais emocionados era o gémeo do defunto chefe de Estado, Jaroslaw, antigo primeiro-ministro, mas também a única filha do casal presidencial, Marta, de 29 anos.As cerimónias incluíram o repicar de sinos, à hora exacta em que o avião se despenhou, uma salva de três tiros de canhão e uma missa de requiem celebrada pelo cardeal católico Kazimierz Nycz. Os funerais oficiais realizam-se hoje em Cracóvia, como previsto, deliberou a família, apesar de muitos dignitários estrangeiros terem informado que estarão ausentes, devido ao caos nos aeroportos europeus provocado por um vulcão islandês.A mais notável ausência não será a de nenhum representante estrangeiro mas a de Jadwiga Kaczynska, a mãe de Lech e Jaroslaw, de 83 anos, que se encontra hospitalizada. "Ela não sabe que o filho morreu", admitiu um amigo pessoal. "O seu estado é grave [infecção pulmonar que a deixa incapaz de respirar sozinha] e esta notícia pode prejudicá-la gravemente."


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